20/04/2004 A tela do computador, cheia de frases e palavras desconexas; verdadeiro caos. Frustrado, começo a ficar com sono. Talvez amanhã, terei alguma idéia... Quero falar um monte de assuntos. Quando começo a escrever um vem outros três. Fico perdido entre a diferença de tempo da minha cabeça veloz e das minhas mãos lentas. Há ocasiões que fico eufórico e triste ao mesmo tempo. Desejo fazer tantas coisas, mas parece que existe uma trava que não me deixa fazer nada. Não há nenhuma mensagem na caixa de entrada do e-mail, só informes publicitários. Espero uma mensagem importante, mas não chega. Engraçado, como quero receber algo de alguém, se não conheço quase ninguém e nunca me correspondi com ninguém antes? Tenho certas atitudes, que nem mesmo eu entendo. Envio compulsivamente alguns contos pela INTERNETE. Fico ansioso que eles sejam publicados. Sou tão bobo. Agora, resolvi ter um blog. Coloco todas as minhas bobagens nele. Algumas pessoas comentam e até me elogiam. Será que a Sofí já leu? Não vou falar dela agora. Mais tarde...
15/05/2004
Gosto de brincar de ser filósofo de botequim: Existo? O mundo é o que é ou uma coisa construída ideologicamente? Será que quero conhecer realmente os EUA e a Europa ou o que almejo conhecer é o ideal que construí sobre esses lugares? Chega de besteira! Vou dormir.
6/06/2004
Muitas vezes colo vários fragmentos de coisas que já escrevi, para montar o texto final e que irá dizer tudo que penso e sinto. Corro o risco de sempre repetir temas e prejudicar a originalidade. Mas não estou na fase da qualidade, de esperar a inspiração vir para ter a idéia perfeita e sim da quantidade. Exercitar bastante, para aprender a desenvolver as idéias pela escrita:
NUMA TARDE QUALQUER
, vi a porta da cozinha aberta, a qual dá para o corredor do lado de fora da casa. Os raios solares entravam através do basculante da cozinha, enquanto, na parede áspera e descascada do lado de fora, a luz do sol batia diretamente. Há um contraste na iluminação da cozinha e na parede do lado de fora. Estava na sala de jantar, sentado à mesa; daria um lindo quadro. Era engraçado que num passe de mágica, certos momentos ditos sem relevância, de repente, podem ser percebidos. Lembrei-me de quando estava fazendo o ensino médio, estudava num colégio ao lado do terminal do ponto de ônibus, que ficava em frente a um viaduto. Quando entrava no ônibus, percebia que no alto da parede do viaduto tinha uma planta. Como aquela planta nasceu naquela rachadura? Talvez, o vento trouxe um pouco de terra e os pássaros, a semente. No local impróprio, ela nasceu. Um milagre simples da natureza. Depois de muitos anos, voltei ao local e não encontrei a planta mais lá. Estava fazendo um curso preparatório para um concurso público qualquer. Sabe como é que é; vivo no país do desemprego e instabilidade econômica crônica, todo mundo procura estabilidade num cargo público. Uma das coisas mais bonitas que considero também é quando o vento movimenta as cortinas. Não sei o porquê. Só sei que dá um lindo quadro, as cortinas sendo balançadas pelo vento. Às vezes, penso que há alguém ou um fantasma, a espiar quem passa na rua. Quando chega o verão, o calor está tão insuportável, que ao surgir uma brisa para refrescar, acho que é um pequeno milagre. Almejo fotografar ou pintar todos estes momentos belos e os quais não percebemos na maioria das vezes. Mas, não sou fotógrafo e muito menos pintor. Descrever? Dificílimo! Não sei se vou conseguir mostrar com palavras a beleza destes momentos simples. Técnica, preciso disso. Preciso estudar, a única coisa que tenho, é a imaginação. Só isso, não basta. A idéia precisa de um fio condutor, que é a técnica, para se materializar. Sou vago e não prático. "O apreço exterior a arte é a sobrecasaca da inteligência. Quem quererá apresentar-se diante de seus amigos Com uma inteligência nua?" Eça de Queiroz Realmente, eu ainda não consegui fazer uma roupa bem bonita para vestir minhas idéias. Elas ainda saem nuas. Falam-me, que preciso descrever mais. "Seus textos são muito sucintos, não escreve uma história, mas seu resumo. Precisa desenvolver mais, para o texto ficar mais atraente. Tenho dificuldade em escrever; tirava nota baixa na redação da escola. Sempre desejei lidar com a palavra; dominá-la. Mas a palavra cruel, não cede ao suplício de qualquer um. Diz firme: "Leia, escreva, pensa e sinta". Digo para ela sem esperanças: " não consigo". Ela me diz; " Vou embora, não perco meu tempo com perdedores". Não sei lidar com ela. É uma esfinge, que me devora. Absorve minha energia vital. Às vezes tenho vontade fugir. Quero voltar a ser uma besta e viver no mundo selvagem que precede a palavra. Não desejo mais pensar e buscar a palavra perfeita, que irá esclarecer o que quero dizer. Almejo, o nada absoluto, mas não o pregado pelos budistas e sim o que vem antes da palavra. Não sou escritor, mas uma pessoa que escreve. Considero-me um contador das minhas próprias histórias. Conto-as, como se tivesse conversando com vocês. O meu texto lembra a fábula da Bela e a Fera. Deve abstrair a estética para perceber a essência. Quem conseguir suportar tanta feiúra e encontrar algo de belo no que escrevo, ficarei muito feliz. Quando vejo na TV e leio no jornal, um escritor que escreve sobre um evento importante, como o aniversário de São Paulo ou do Rio de Janeiro, fico admirado. Ele consegue encontrar as palavras certas, que emocionam e dão uma bela moldura no texto. Não consigo fazer isso, as palavras me escapam. Então, resumo o que penso: ...moro no Rio de Janeiro desde que nasci, mas ao sair para algum lugar, principalmente a zona sul, sinto-me um estrangeiro. Parece que não me enquadro no imaginário do Rio; praia, sol e muita curtição. Acho que não vale a pena, reduzir o Rio de Janeiro a zona sul e a zona norte, é muito além disso. Lanço a idéia nua no papel. Não a moldo, para que se transforme numa jóia lapidada. Não tenho paciência, para escrever, apagar, escrever, apagar... até chegar a arte final. Só quero passar minha mensagem e pronto. Isto está relacionado com fato de começar o hábito da leitura recentemente. Começo a gostar de ler, na marra. Sempre fui mais acostumado, com as imagens já dadas pela TV e o cinema e não com palavras. Uma vez uma professora me disse; “ Você tem que encarar seu texto como uma coisa, que não lhe pertence. Depois, criticá-lo como se fosse de outra pessoa”. Mas, não consigo. Penso, escrevo de imediato e pronto. Reler? Imagina, deixo como está e parto para outra idéia. Repito as palavras, não procuro sinônimos. Algumas pessoas dizem: “essa palavra não está adequada ou repetiu esse termo ou essa frase foi mal escrita”. Quando passo no papel minhas idéias, elas ficam truncadas. São colchas de retalhos. Talvez, o que estou pretendendo contar, está partida em vários pedaços e não consigo juntá-las, para construir o todo da história.
18/06/2004 Outro dia, sonhei que estava observando o mar, mas não o de agora; mas o primitivo e denso que na época do colégio, o professor de biologia, o comparava como uma sopa nutritiva e na qual se originara os primeiros seres vivos do planeta.
EXPLICAÇÃO
Este blog tem uma edição como um livro e não como um blog, que é invertido. Todos "capitulos" estão aí. Quem quiser, leia e se divirta. O livro-blog já está terminado.